Noticias

Loading...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Poder dos EUA

Aviões-robôs que enganam radares, munições inteligentes guiadas por GPS que atingem precisamente o alvo programado, bombas antitanque teleguiadas, informações transmitidas por satélite para indicar aos comandantes em campo a localização exata das próprias tropas e dos inimigos durante as batalhas – as Forças Armadas americanas exibiram toda essa tecnologia de ponta, e mais ainda, na conquista-relâmpago do Iraque. Nenhum outro país do planeta pode ser remotamente comparado à máquina de guerra dos Estados Unidos. É o melhor Exército que jamais existiu, tanto em termos absolutos quanto em comparação com os de outras nações. Melhor do que a Wehrmacht de 1940, melhor do que as legiões no auge do Império Romano. No futuro previsível, nenhum país vai sequer tentar chegar perto do poderio americano. Essa constatação tem um significado importante: a corrida armamentista acabou, e quem ganhou foram os Estados Unidos. Outros países não se animam a reavivar a competição porque estão tão defasados que não teriam chance nem de entrar na briga. O fato é que a corrida armamentista entre as grandes potências, disputada durante séculos, chegou ao fim depois que o resto do mundo se curvou à vitória americana. Neste momento, apenas um país dotado de armas nucleares, talvez a Coréia do Norte, tem condições de exercer algum tipo de pressão militar sobre o vencedor. Paradoxalmente, a fulminante vitória americana na corrida armamentista convencional pode provocar um novo surto de proliferação de armas nucleares. Sem nenhuma possibilidade de enfrentar os Estados Unidos na base do avião contra avião, aos países que buscam algum tipo de elemento dissuasório só restaria recorrer às armas atômicas. Foi provavelmente devido à convicção de que não há como resistir ao poderio convencional americano que a Coréia do Norte anunciou duas semanas atrás que tem a bomba atômica. Caso o precedente se confirme, reforçando a impressão de que a Coréia do Norte se tornou imune a um ataque americano por contar com algum tipo de munição nuclear, outros países – e o Irã é um candidato óbvio – podem renovar os esforços destinados a obter esse tipo de armamento. É impossível exagerar a superioridade militar americana. Durante a guerra ao Iraque, os Estados Unidos enviaram cinco de seus nove superporta-aviões para a região. Mais um deles, o décimo, está sendo construído. Nenhum outro país do planeta possui sequer um superporta-aviões, muito menos nove desses grupos de combate naval, acompanhados por cruzadores e escoltados por submarinos nucleares. A Rússia tem um porta-aviões moderno, o Almirante Kuznetsov, mas ele tem cerca de metade do tamanho do equivalente americano e tantos problemas operacionais que raramente deixa o porto. A Marinha da antiga União Soviética chegou a fazer estudos preliminares sobre um superporta-aviões, mas abandonou o projeto em 1992. Inglaterra e França têm somente porta-aviões, poucos e pequenos. E a China desistiu de construir um no ano passado.

Além disso, qualquer tentativa de construir uma frota naval que ameaçasse o Pentágono seria inútil, pois, em caso de conflito, acabaria afundada nos primeiros cinco minutos pelos submarinos de combate americanos. Sabendo disso, todos os outros países cederam aos Estados Unidos o domínio dos mares, motivo pelo qual as forças navais americanas podem navegar por onde bem entenderem. A corrida armamentista entre as marinhas de guerra, que durante séculos foi pedra fundamental na estratégia das grandes potências, é coisa do passado.
O poderio aéreo americano é igualmente incomparável. Os Estados Unidos têm mais caças e bombardeiros avançados do que todos os outros países do mundo juntos. Têm ainda três tipos de aviões "invisíveis" (os bombardeiros B-1 e B-2 e os caças F-117), além de outros dois modelos de caça, o F-22 e o F-35, esperando verba para entrar na linha de produção. No resto do mundo, nenhuma nação possui um único caça invisível. Alguns poucos países têm uma pequena quantidade de bombardeiros pesados. Mas os Estados Unidos têm esquadrilhas inteiras compostas dessas aeronaves de combate. Graças à frota de aviões de abastecimento, os bombardeiros americanos podem operar em qualquer lugar do mundo. Nenhuma nação tem algo que se compare ao avião-radar AWAC, que colhe imagens detalhadas do espaço aéreo em áreas conflagradas, ou ao novíssimo JSTARS, que rastreia o solo.
Nenhuma nação tem mísseis e bombas inteligentes com a mesma qualidade, nem na mesma quantidade, que os Estados Unidos. Uma demonstração dessa superioridade foi dada no mês passado, durante a segunda tentativa de assassinar Saddam Hussein. Passaram-se apenas doze minutos entre o momento em que um bombardeiro B-1 recebeu as coordenadas para atacar e o momento em que ele disparou quatro bombas inteligentes, programadas para cair a apenas 15 metros de distância uma da outra, com uma diferença de segundos. Todas acertaram os alvos.
A supremacia aérea americana é tanta que os adversários nem ousam levantar vôo. A Sérvia manteve seus aviões em terra durante o conflito de Kosovo, em 1999. Na guerra contra o Iraque, nenhum caça iraquiano saiu do solo para enfrentar o ataque dos Estados Unidos. Todos os governos do mundo sabem que, se tentarem enviar um único caça contra os americanos, seus aviões serão reduzidos a cacos antes mesmo de recolherem os trens de aterrissagem. A corrida armamentista aérea, tão relevante nos últimos cinqüenta anos, acabou. 

As forças terrestres americanas têm um adversário em potencial – a China, com seu grande Exército. Mas nada que signifique que a corrida armamentista em terra também não tenha acabado. Os Estados Unidos dispõem agora de 9.000 tanques M1 Abrams, a maior força blindada do mundo. Os canhões e o sistema de controle de artilharia do Abrams são tão extraordinariamente precisos que, em combate, destroem um tanque inimigo com um único disparo. Nenhuma nação produz nem planeja produzir no momento um equipamento dessa magnitude. Todas sabem que seria um gasto inútil. Mesmo que tivessem tanques mais avançados, os Estados Unidos os destruiriam pelo ar.
A supremacia em matéria de eletrônica também é enorme. Na guerra contra o Iraque, grande parte dos alvos foi "marcada" com o uso de aviões não tripulados, pilotados por controle remoto, como o Global Hawk – que voa a 18.000 metros, muito acima do raio de ação das baterias antiaéreas. Além disso, os sensores do Global Hawk são tão sofisticados e seu equipamento de comunicação é tão avançado que deve levar uma década até que outro país desenvolva um equipamento similar – e, até lá, os Estados Unidos terão aviões muito superiores nos campos de batalha.
Segundo a revista do The New York Times informou recentemente, os Estados Unidos estão desenvolvendo um modelo de caça não tripulado, operado por controle remoto e quase impossível de ser derrubado, a um preço razoavelmente acessível. Também estão criando helicópteros não tripulados para ser despachados ao campo de batalha antes das tropas. Nenhum outro país chega perto do avanço tecnológico e do controle de dados desses armamentos. Durante anos, o Pentágono terá o monopólio em matéria de aviões de combate não tripulados. A corrida armamentista eletrônica deve ter algum tipo de continuidade porque desenvolver tecnologia nessa área é muito mais barato do que construir navios ou aviões. Mas os Estados Unidos estão tão à frente que dificilmente serão destronados.
Além disso, os Estados Unidos detêm uma esmagadora liderança no uso militar do espaço. O comando militar americano não só utiliza mais e melhores satélites que o resto do mundo combinado como as forças dos EUA começam a receber informações via satélite em larga escala. A importância desses sistemas na conquista-relâmpago do Iraque ainda está por ser reconhecida. A liderança americana nesse setor só irá crescer, pois a Força Aérea dispõe hoje do segundo maior orçamento espacial do mundo, perdendo apenas para o da Nasa.
Toda essa vasta supremacia militar foi obtida, em parte, por um motivo: dinheiro. No ano passado, os gastos militares americanos excederam os de todos os outros membros da Otan, da Rússia, da China, do Japão, do Iraque e da Coréia do Norte combinados, de acordo com o Centro de Informação de Defesa, um grupo de estudos independente. É mais uma área para a qual todas as nações devem se curvar à superioridade dos Estados Unidos, pois nenhum outro governo teria condições de chegar perto.
Essa vantagem disparada tem sido criticada como excessiva, mas traz efeitos positivos. Os gastos militares globais chegaram ao auge em 1985 – na época, o mundo gastava 1,3 trilhão de dólares. Desde então, esse valor vem declinando e chegou a 840 bilhões em 2002. Isso significa que houve uma queda de quase meio trilhão de dólares no total do que se gasta no mundo a cada ano com armas. Um sinal de que as outras nações admitem que a corrida armamentista está acabada.
A preeminência militar americana é reforçada pelo efetivo engajamento em operações de guerra. Com ou sem razão, os Estados Unidos entram em combate com freqüência. Cada batalha torna-se uma oportunidade de aprendizado para tropas e um teste para as novas tecnologias. Nenhum outro contingente militar tem a experiência dos americanos. Ainda há que mencionar o excelente preparo – em treinamento e motivação – de seus quadros. Essa vantagem competitiva aumentou quando os Estados Unidos começaram a colocar mulheres em postos de combate, o que dobrou o número de talentos em potencial.
A vantagem americana não confere invencibilidade às suas forças: o caro helicóptero de ataque Apache, por exemplo, saiu-se mal quando confrontado com armas de pequeno porte no Iraque. Mais importante ainda, a força esmagadora dificilmente garante que os Estados Unidos consigam impor tudo o que querem nas pendências mundiais. O uso da força é apenas um aspecto das relações internacionais. A experiência tem demonstrado que o poderio militar é útil na resolução de problemas militares, não das questões políticas.
A Coréia do Norte defronta agora com o mais poderoso aparato militar jamais existente. Apesar disso, pode ter condições de desafiar os Estados Unidos em razão da chantagem nuclear. No momento em que a corrida armamentista global chega ao fim com os Estados Unidos tão disparados na frente que não têm nenhum rival, o cenário resultante pode ser um mundo em que Washington tenha um poder historicamente sem precedentes – mas muitas vezes não possa utilizá-lo.
 

2 comentários:

G. disse...

Esse texto ficou muito bom..

G. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.